quarta-feira, 13 de julho de 2016

4.053 vítimas de balas perdidas em apenas 18 meses no Rio de Janeiro



Nos últimos 18 meses, hospitais gerenciados pelas secretarias municipal e estadual de Saúde do Rio de Janeiro atenderam 4.053 vítimas de PAF (projétil de arma de fogo). O número escandaloso foi revelado na reportagem especial que ilustra a capa de VEJA desta semana. Mas num cotidiano de violência sem fim, em que as autoridades perderam completamente o controle da situação, esta contagem de baleados não para nunca. Nas últimas 48 horas, pelo menos outras sete pessoas engrossaram tragicamente as estatísticas. Quatro delas morreram. Uma das vítimas, um rapaz que já havia sido baleado durante um assalto cinco anos atrás, na Zona Oeste da Cidade Maravilhosa.
"Estamos vivendo numa guerra diária. E esta história, se fosse um filme, não poderia ser tão trágica", desabafa o motorista particular Wesley Lessa. Ele é primo de Vanderson de Jesus Lessa da Silva, de 25 anos, morto durante uma festa na madrugada da última segunda-feira, próximo à Favela Vila Aliança, em Senador Camará. Há cerca de quatro anos, depois de uma festa de São Jorge, em Padre Miguel, Vanderson resolveu voltar pra casa mais cedo porque faria um curso no dia seguinte de manhã. Quando desceu do táxi, quase na esquina de casa, foi atacado por assaltantes que, após roubarem tudo, atiraram. A bala atingiu a coluna cervical e Vanderson ficou paraplégico.
Foi uma recuperação sofrida, mas o jovem e sempre alegre rapaz deu a volta por cima: "Todo mundo esperava que ele ficasse revoltado, mas não. Ele nunca se fez de coitadinho, fazia esportes, malhava, enfim, vivia a vida como qualquer jovem", diz o primo. Em sua página no facebook Vanderson aparecia sempre sorrindo, brincando com amigos e comemorando a vida. Até que uma confronto entre policiais e bandidos o deixou sem tempo de reação, na madrugada de segunda-feira. Uma bala perdida atingiu seu ombro. Levado para o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, ele foi operado, mas ao longo do dia seu quadro piorou. E Vanderson não resistiu. Um amigo que estava com ele também foi baleado , mas passa bem.
Neste momento, a família de Vanderson se juntava ao drama de outras duas que, em situações semelhantes, já peregrinavam para enterrar seus parentes. Na manhã de domingo, pouco depois das 7h, a diarista Cícera Rodrigues da Silva, de 38 anos, saía de casa, na Favela Furquim Mendes, no bairro Jardim América, na Zona Norte - às margens da Rodovia Presidente Dutra - para à igreja, quando foi atingida por um tiro. Socorrida para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, ela também acabou morrendo. Na noite do próprio domingo, em Japeri, a vítima da vez foi Sonia Maria Oliveira, dona de uma barraca de cachorro quente na Praça Olavo Bilac.  Ela morreu
Na noite de ontem, a quarta vítima fatal foi o pedreiro Jessé Mendes da Silva, de 52 anos. Morador do Morro da Chatuba, que conta com uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) há quatro anos, ele esperava o filho chegar do trabalho quando foi atingido por um disparo na cabeça, por volta das 19h. A favela fica no Complexo da Penha, na Zona Norte, onde na semana passada, enquanto VEJA produzia uma reportagem especial, houve um dos mais intensos confrontos daquela manhã, deixando mãe e filha feridas por balas perdidas, além de dois policiais militares da UPP Vila Cruzeiro baleados. Dos 18 baleados registrados na contagem feita por VEJA naquelas 48 horas, dez foram vítimas de balas perdidas, sendo cinco em regiões consideradas pacificadas, como os morros do Borel e do Andaraí, na Tijuca, e na Mineira, no Rio Comprido.
Ainda ontem, na Passarela 7 da Avenida Brasil, em frente ao Complexo da Maré, a menina Marcele dos Santos Gomes, de apenas 11 anos, foi ferida por dois tiros: um no braço esquerdo e outro no abdômen. Ela foi operada e segue internada em estado grave no Hospital Geral de Bonsucesso. E já madrugada desta terça-feira, em outra favela com UPP, o Morro do Adeus, em Ramos, um morador de 22 anos foi ferido por um tiro: Julianderson de Jesus Santos foi socorrido por policiais militares e segue internado no Getúlio Vargas.
Apesar dos seguidos casos de balas perdidas, as autoridades do Rio de Janeiro até hoje não fazem uma contagem oficial para tentar dimensionar o problema. Ano passado a Polícia Civil chegou a anunciar que incluiria em seu sistema de registros de ocorrência o campo 'bala perdida', mas até hoje o Instituto de Segurança Pública (ISP) não conseguiu produzir um dado. Uma contagem feita pela Rádio Bandnews registrou pelo menos 32 mortos e 120 feridos por balas perdidas somente em 2016.
fonte:Veja,com


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