quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Curiosity confirma que Marte teve lama, rios, deltas e lagos no passado

Solo na parte central da cratera Gale, em Marte, era leito de grande lago (Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS)
A cratera Gale de Marte, região investigada pelo jipe-robô Curiosity, já abrigou rios, deltas e lagos intermitentes por até 10 milhões de anos, indica um novo estudo da Nasa. Imagens de satélite da superfície do planeta já sugeriam a existência passada de grandes massas de água líquida no planeta e, agora, finalmente, uma missão de solo confirma que a superfície marciana era muito mais parecida com a Terra do que é hoje.
A descoberta foi feita a partir da análise de rochas sedimentares pelas câmeras e instrumentos científicos do Curiosity. Ao avaliar a geometria, textura e composição das rochas no local cientistas concluíram que a maneira com que a paisagem em Gale se formou só pode ser explicada pela presença de água líquida em grandes quantidades.
Foto divulgada pela NASA em 23 de junho mostra autorretrato do robô Curiosity em Marte (Foto: AP Photo/NASA, JPL-Caltech, MSSS, File)O jipe Curiosity (Foto: Nasa, JPL-Caltech, MSSS)
Os resultados da análise foram publicados nesta quinta-feira (8) em estudo na revista “Science”, liderado por John Grotzinger, cientista da Nasa e do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Os lagos teriam começado a se formar cerca de 3,5 bilhões de anos atrás.
A atmosfera rarefeita de Marte, porém, favorece muito a evaporação, e cientistas acreditam que as massas d’água que existiram ali eram intermitentes, e com frequência se esgotavam. Os dados sugerem que os lagos duravam de 100 a 10 mil anos, e desapareciam para depois voltar.
Ainda assim, no segmento de 9 km analisado pelo jipe-robô, cientistas estimam que um lago chegou a ter no mínimo 75 metros de profundidade, considerado o atual fundo da cratera.
Lama e vida
A paisagem descrita pelos cientistas, que descreve um ambiente úmido e lamacento, se assemelha a um ambiente terráqueo.
“A erosão na parede e borda norte da cratera Gale gerou cascalho transportado para o sul em córregos rasos”, explica Grotzinger. “Esses depósitos avançavam em direção ao interior da cratera, rio abaixo, se transformando em depósitos mais finos (textura de areia). E deltas ali marcavam o limite de um lago antigo onde sedimentos ainda mais finos (textura de lama) se acumulavam, preenchendo a cratera e o leito do lago.”
O novo estudo -- assim como a descoberta de que Marte possui pequenos veios de água corrente ainda hoje – deixou entusiasmados cientistas que avaliam a capacidade de o planeta ter abrigado vida.
“A geologia de Marte ainda guarda a possibilidade incrível de que a vida exista ou tenha sido preservada, pela água ser tão abundante em Marte”, afirma Marjorie Chan, geóloga da Universidade de Utah que escreveu artigo comentando a descoberta. Na Terra, é provável que toda e qualquer água próxima a superfície tenha sido ‘contaminada’ com alguma forma de vida microbiana nos últimos cerca de 3,5 bilhões de anos. Teria Marte águas puras e sem vida?”

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