quarta-feira, 29 de julho de 2015

Dez medidas contra a corrupção

Imagem: Reprodução/EBC

Dallagnol também veio ao Rio participar do lançamento do projeto Dez Medidas contra a Corrupção, apresentado a lideranças comunitárias e religiosas, reunidas no Seminário Teológico Batista do Sul

Um “seguidor de Jesus, marido e pai apaixonado, procurador da República por vocação e mestre em Direito por Harvard” – como se define em sua página no Twitter, o procurador da República Deltan Dallagnol não esconde suas convicções cristãs e as utiliza para influenciar a sociedade de maneira positiva.
Tanto que veio ao Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28), para participar do lançamento do projeto Dez Medidas contra a Corrupção, apoiado pelo Ministério Público Federal, que pretende recolher 1,5 milhão de assinaturas para apresentar ao Congresso um projeto de iniciativa popular com ações anticorrupção . Ele apresentou o projeto a lideranças comunitárias e religiosas, reunidas no Seminário Teológico Batista do Sul, a quem pediu apoio à iniciativa. Há dez dias, também esteve em Campo Grande, para divulgar a proposta.
Com 35 anos, evangélico, da denominação batista, o procurador disse, segundo relato publicado na edição desta terça-feira do jornal ‘O Globo’, que “quem rouba milhões mata milhões”. Ele também pediu aos pastores e demais presentes orações para “mudar o sistema”, ao misturar temas ligados ao Direito e à religião.
“Em razão da minha cosmovisão cristã, eu acredito que nós temos uma janela de oportunidade, que Deus está abrindo para mudanças. Se a igreja luta por isso, Deus está respondendo”, afirmou o procurador. Ao final do evento, pastores ficaram de pé e fizeram uma oração ao lado de Dallagnol.
Procurador da República desde 2003, Dallagnol é especialista em crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro.
Dez Medidas contra a Corrupção
No vídeo, o procurador pede o engajamento da população nessa iniciativa e cita que o juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato, já assinou a proposta, assim como procuradores e delegados também apoiaram a proposta. “A Lava Jato trouxe esperança, mas agora precisamos da sua ajuda. Vamos juntos construir um país mais justo”, diz Dallagnol, protagonista da gravação publicada no Youtube e que tem circulado nas redes sociais e nos celulares via Whatsapp.
Dallagnol criticou a corrupção no país e disse que, baseado em dados das Nações Unidas, o Brasil gasta R$ 200 bilhões em propinas todos os anos. “Esse valor permitiria triplicarmos no Brasil o investimento federal em saúde ou educação e que melhorássemos tudo o que é gasto, em todo o país, por todos os entes da Federação, em segurança pública.”
Ele disse acreditar na punição de todos os envolvidos nos casos de corrupção envolvendo empreiteiras, agentes públicos e políticos que superfaturaram contratos com a Petrobras, recebendo propinas milionárias em dinheiro público.
“Nós vamos fazer o nosso melhor, tudo o que está em nosso alcance, para que todos sejam punidos, por todos os crimes, na medida de sua responsabilidade. Nós acreditamos que, neste caso, existe uma série de fatores que vai permitir que a punição seja alcançada de modo efetivo”.
Os dez temas da campanha contra a corrupção são os seguintes: Prevenção à corrupção, transparência e proteção à fonte de informação; Criminalização do enriquecimento ilícito de agentes públicos; Aumento das penas e crime hediondo para corrupção de altos valores; Aumento da eficiência e da justiça dos recursos no processo penal; Celeridade nas ações de improbidade administrativa; Reforma no sistema de prescrição penal; Ajustes nas nulidades penais; Responsabilização dos partidos políticos e criminalização do caixa 2; Prisão preventiva para evitar a dissipação do dinheiro desviado; Recuperação do lucro derivado do crime.
Para participar da campanha e baixar os formulários para recolher assinaturas, basta acessar o endereço eletrônico www.combateacorrupcao.mpf.mp.br.
 
Escutas na cela de Yousseff
O procurador também integra o núcleo da Operação Lava Jato, e negou nesta segunda-feira (27) que tenha havido escuta na cela onde estava o doleiro Alberto Youssef, na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba. O fato, denunciado pelo próprio Youssef, em abril do ano passado, foi refutado por uma sindicância concluída pela PF em setembro de 2014.
“Jamais apareceram quaisquer escutas e muito menos indicativos de influência delas nas investigações. É um caso sob investigação. Mas jamais identificamos qualquer escuta que tenha sido instalada. O que existiu é um aparelho que, em princípio, não estava funcional. Esta é uma situação sob apuração”, sustentou o procurador.
Dois policiais federais admitiram, durante audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, no dia 2 de julho, que as escutas existiram. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, também em depoimento à CPI da Petrobras, no último dia 15, classificou de gravíssimo o fato, se for comprovado.
 

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