terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Real é a quarta moeda com maior desvalorização em 2015

 Imagem: Divulgação

A forte aceleração do dólar foi tão intensa que o real passou a ser a quarta moeda que, no acumulado de 2015, mais perdeu valor em comparação com dólar, considerando um total de 47 moedas negociadas no mercado à vista de Forex (câmbio internacional).
No fim de janeiro, a moeda brasileira era apenas a 23ª no ranking de perdas ante o dólar.
Até sexta-feira (13), o dólar já acumulava alta de 6,6% no ano em relação ao real, segundo levantamento feito pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.
Nos últimos dias, o que mudou foi a percepção em relação ao Brasil. Em 30 de janeiro, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deu a largada no movimento mais intenso de valorização do dólar ante o real ao afirmar que não tem a intenção de manter o câmbio “artificialmente valorizado”.
Na visão de boa parte dos investidores, o comentário foi uma indicação de que o governo pretende deixar o câmbio livre e pode até acabar com o programa de leilões diários de swap (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro) depois de março.
O risco de racionamento de água e luz , a desconfiança sobre a capacidade de o governo cumprir a meta para as contas públicas em 2015, serviram de motivo para que os investidores buscassem a segurança do dólar.
“Após um início de ano que indicava um período de calmaria no câmbio, o cenário mudou”, afirma Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria. De acordo com ele, várias ações do governo também pesaram para a desvalorização do real.
As escolhas de Aldemir Bendine e de Miriam Belchior para a presidência da Petrobrás e da Caixa, respectivamente, passaram um sinal contraditório, diz Silvio.
“Esses dois nomes são muito alinhados com a política econômica do primeiro mandato, o que colocou um pouco de dúvida sobre a disposição do governo de mudar a economia.”
Além disso, houve uma deterioração do quadro político com a eleição de Eduardo Cunha (PMDB) para a presidência da Câmara dos Deputados, o que tende a dificultar a relação do governo com o Congresso.
Entre os profissionais ouvidos pelo Broadcast há consenso de que a tendência para o dólar é de alta. E poucos se arriscavam a dizer em qual nível a moeda americana vai se estabilizar.
 Fonte: Exame


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