segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Aborto de meninas se espalha como ‘epidemia’ no Leste Europeu



Feticídio feminino afeta países que não tinham histórico de tais práticas, como Albânia, Kosovo e Macedônia
A prática do aborto de fetos do sexo feminino devido a uma preferência por meninos é uma “epidemia” que está se espalhando para além de países como Índia e China, atingindo agora nações do Leste Europeu, advertiu um alto funcionário da Organização das Nações Unidas nesta segunda-feira (10).
O chefe da divisão de gênero do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês), Luis Mora, disse que pesquisas nos últimos anos identificaram que o desejo por bebês do sexo masculino e o acesso à tecnologia foram os principais responsáveis pelos mais elevados índices de seleção do gênero em nível global na região do Cáucaso, ao longo da fronteira da Europa-Ásia entre os mares Negro e Cáspio.
“Por muitos anos, temos observado a preferência por meninos e a seleção do gênero de um ponto de vista que está muito concentrado nos casos da Índia e da China”, disse Mora, durante um simpósio de quatro dias sobre o envolvimento de homens e meninos na igualdade de gênero.
“Mas temos aprendido nos últimos anos que a Índia e a China não são mais as exceções. Vimos como a discriminação, a preferência por meninos e todas as questões relacionadas têm progressivamente se espalhado para países que nunca antes tínhamos pensado que poderiam praticar a escolha do gênero, como os países do Leste Europeu”.
Aborto de fetos femininos
Mora disse que o fato de o feticídio feminino estar acontecendo nos países que, anteriormente, não tinham histórico de tais práticas, como Albânia, Kosovo e Macedônia, indicava que a discriminação de gênero era uma “epidemia”, comparando-a ao vírus mortal ebola.
De acordo com um estudo de agosto de 2013 da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, biologicamente 105 meninos nascem para cada 100 meninas. No entanto, na Armênia e no Azerbaijão mais de 115 meninos nascem para cada 100 meninas, e na Geórgia a proporção é de 120 homens para cada 100 mulheres.
Como resultado, o UNFPA estima que em países como a Armênia haverá a falta de cerca de 93 mil mulheres em 2060 se a alta taxa de seleção de gênero no pré-natal permanecer inalterada.
Especialistas em gênero dizem que a estrutura patriarcal é uma das principais razões para a proporção sexual enviesada. Uma “cultura do aborto” herdada do período soviético e o fácil acesso a tecnologias que permitem aos pais saber o sexo do seu filho antes do nascimento são outros fatores importantes.
“Acho que isso é um aviso”, disse Mora. “Por trás dessa situação há uma forte e grave advertência sobre como as desigualdades de gênero, a violência, a preferência por meninos e outras práticas nocivas podem realmente tornar-se universal”.
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