sábado, 4 de outubro de 2014

Jovem surfista pode ter processo de beatificação aberto no Rio

Surfista morreu afogado em 2009 e é candidato a se tornar santo (Foto: Arquidiocese / Divulgação)Surfista morreu afogado em 2009 e é candidato a se tornar santo (Foto: Arquidiocese / Divulgação)
Um jovem surfista, cuja morte causou grande comoção entre os cariocas em 2009, pode ter seu processo de beatificação aberto na próxima semana. Segundo o delegado episcopal para a Causa dos Santos da Arquidiocese do Rio, Dom Roberto Lopes, a comissão de Roma que chega ao Brasil neste sábado (4) para dar andamento ao processo de beatificação de Odetinha (uma menina carioca que morreu aos nove anos e era conhecida por sua inocência e engajamento nas causas sociais), pode trazer o documento que autoriza o início do processo de beatificação de Guido Vidal França Schäffer. Chamado nihil obstat (nada consta, em latim), o certificado autoriza o início dos processos de beatificação e também de canonização.
O pedido de beatificação de Guido, que morreu às vésperas de se tornar padre, foi apresentado oficialmente ao Vaticano em maio de 2014, cinco anos após sua morte, tempo necessário para iniciar o procedimento. Como a avaliação do pedido leva de seis a oito meses, Dom Roberto explicou que a primeira fase do processo pode ter início até janeiro de 2015. Ele não escondeu, no entanto, sua expectativa de o Brasil ter tão cedo a chance de ganhar mais um santo em sua História. Primeiro santo nascido no Brasil, Frei Galvão foi canonizado pelo papa Bento XVI, em São Paulo, em 11 de maio de 2007.
Guido é reconhecido por ajudar os mais necessitados (Foto: Arquidiocese / Divulgação)Guido é reconhecido por ajudar os mais
necessitados (Foto: Arquidiocese / Divulgação)
Devido à forma como acolhia o próximo, Guido é chamado de 'São Francisco de Assis Carioca' por Dom Roberto. "Sempre que eu falo de Guido, o comparo a São Francisco de Assis. Além de curar o corpo, ele curava a alma através do evangelho", disse ele.

Surfista, médico e seminarista
Guido Vidal França Schäffer nasceu no dia 22 de maio de 1974, em Volta Redonda. Ele era um jovem surfista, médico, conhecido por seu envolvimento nas causas sociais e morreu aos 34 anos, quando estava prestes a se tornar padre. O vigário paroquial da Igreja Nossa Senhora da Paz, padre Jorjão, conheceu Guido em um retiro espiritual na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. O rapaz foi a primeira pessoa a se confessar com o vigário e, após esse primeiro encontro, eles se tornaram grandes amigos. Devido ao surgimento dessa amizade, o jovem passou a integrar o grupo de fiéis da comunidade.
“Ele tinha o dom de transformar os corações e as vidas das pessoas através do seu testemunho, que era impressionante. Ele era um jovem como todos os outros, falava gírias, brincava e tocava todos que o cercavam”, disse padre Jorjão.
Guido morreu às vésperas de se tornar padre (Foto: Arquidiocese / Divulgação)Guido morreu às vésperas de se tornar padre
(Foto: Arquidiocese / Divulgação)
Ele tornou-se seminarista pouco antes de se formar em medicina. Como médico, Guido integrou o corpo clínico da Santa Casa de Misericórdia do Rio e prestava atendimento gratuito a moradores de rua.

“Ele se preocupava muito com o próximo, sem se importar com a classe social da pessoa. Além disso, incentivava seus colegas de trabalho a prestarem todo tipo de atendimento a quem necessitasse e de forma gratuita”, contou o padre Jorjão.
No dia 1º de maio de 2009, surfando na Praia do Recreio em comemoração à despedida de solteiro de um amigo, o jovem seminarista, que estava prestes a se formar, morreu afogado. O acidente gerou grande comoção. Desde então, todo dia 22 (dia de seu nascimento), uma grande quantidade de pessoas participa da missa celebrada em sua homenagem no seu túmulo, no cemitério São João Batista, em Botafogo.
Processo de Beatificação e Canonização

Servo de Deus – Cinco anos após a morte do candidato, o responsável pela arquidiocese dá início à compilação dos documentos que contenha toda e qualquer informação relevante sobre o mesmo.

Venerável – Após o nihil obstat (nada consta) ser concedido, um tribunal eclesiástico investiga a santidade do Servo de Deus.

Beato – Essa fase consiste em provar se os milagres atribuídos ao candidato têm explicação científica. Um junta médica é convocada para uma análise minuciosa. Após o primeiro milagre ser confirmado, o candidato a santo passa a ser chamado de beato.

Santo – Depois de ser confirmado o segundo milagre, a Congregação para a Causa dos Santos do Vaticano encaminha o processo para o Papa. Logo em seguida, o processo é encerrado com a canonização do candidato.
fonte:G1
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