sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Reino Unido se prepara para atacar Estado Islâmico

 Imagem: Divulgação

Enquanto novos ataques da coalizão liderada pelos Estados Unidos contra os jihadistas do Estado Islâmico aconteciam nesta quinta-feira (25), matando mais 19 pessoas na Síria, os mais tradicionais aliados americanos se preparavam para entrar na guerra — mas apenas no Iraque. O Parlamento britânico vota nesta sexta-feira (26) a autorização para que o país inicie ataques aéreos, o que deve acontecer imediatamente após a aprovação — ontem, os caças já começaram a se preparar. A França, por sua vez, reafirmou na quinta-feira que não interromperá os bombardeios e confirmou que seus caças atingiram quatro hangares dos extremistas que continham equipamento militar perto da cidade de Fallujah. Austrália, Bélgica e Holanda também informaram que irão enviar aviões.
Com a entrada de vez dos europeus na guerra, aumenta a preocupação sobre retaliações do Estado Islâmico ou simpatizantes no continente. Na França, o sequestro e a execução do cidadão francês Hervé Gourdel, na Argélia, por jihadistas alinhados ao Estado Islâmico, e a convocação de um porta-voz do grupo para atacar “em especial os malvados e sujos franceses” fizeram com que o governo de François Hollande elevasse a vigilância de edifícios e lugares turísticos — como embaixadas, espaços de culto, estações e aeroportos, estádios e grandes centros comerciais. O governo pediu ainda que fossem redobrados os avisos aos franceses para que aumentem a prudência em cerca de 30 países. Dados oficiais de agosto mostram que, dos 946 franceses que viajaram ao Iraque ou à Síria, 349 se uniram aos combatentes. Até agora, 37 morreram.
O primeiro-ministro iraquiano, Haidar al-Abadi, recebeu informações de Inteligência “críveis” indicando que militantes do Estado Islâmico planejam lançar ataques contra os metrôs de Paris e Nova York. A Casa Branca, no entanto, diz não ter conhecimento sobre o plano.
Na Holanda, que anunciou que enviaria caças ao Iraque e ajudaria a treinar rebeldes sírios para combater o Estado Islâmico, o Ministério da Defesa orientou os soldados a não se deslocarem uniformizados no transporte público após um jihadista holandês fazer uma convocação de ataque às Forças Armadas no país.
Carrasco identificado 
Já a polícia britânica prendeu nove pessoas em uma operação contra militantes islâmicos. Um deles é o clérigo radical Anjem Choudary, que declarara não ter nenhuma simpatia por um refém britânico em poder dos extremistas — que prometeram executá-lo num vídeo recente, como já fizeram com dois jornalistas americanos e um agente humanitário britânico.
Na quinta-feira, o FBI disse ter identificado o combatente islâmico que decapitou os três reféns. A agência americana, porém, não divulgou o nome nem a nacionalidade do rebelde — que segundo fontes europeias seria um britânico de Londres.
A decisão britânica de se unir à ação deve receber nesta sexta-feira pela manhã o aval da Câmara dos Comuns, que foi convocada em regime de urgência, interrompendo o tradicional recesso parlamentar. Cameron se reuniu ontem com seu gabinete para armar uma estratégia para a votação, mas tanto trabalhistas quanto liberais-democratas deverão apoiar a participação militar no Iraque — não na Síria. A imprensa avalia que a participação durará meses. Uma pesquisa da YouGov mostra que o apoio de britânicos aumentou: 52% aprovam e 27% desaprovam a união à coalizão.
Até o momento, os aliados ocidentais concordaram em participar dos ataques aéreos apenas no Iraque, onde o governo pediu ajuda. Para analistas, um perigo que a campanha corre na Síria é a falta de aliados fortes. No ano passado, Cameron foi derrotado ao pedir para o Parlamento autorização para bombardear a Síria — naquela ocasião para retaliar os ataques químicos do regime de Bashar al-Assad.
Segundo o jornal “The Guardian”, jatos do Reino Unido já estão preparados para lançar seus primeiros ataques no Iraque. Baseados no Chipre, eles sobrevoaram o território iraquiano na noite de quarta-feira. As autoridades ainda estudam quais serão os alvos, mas a intenção inicial é atingir unidades móveis dos extremistas.
 Participação árabe
Se o apoio ocidental chega aos poucos, no front, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos tiveram papel-chave nos primeiros ataques. Dez dos 16 aviões que bombardearam posições do EI na Síria na noite de quarta-feira eram dos dois países árabes. Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, os bombardeios tiveram como alvo instalações de petróleo, bases, postos de controle e carros blindados nas regiões de al-Mayadin, Baqras, Qorei e Harbía, em Deir ez-Zor.
Os ataques, no entanto, não impedem o avanço do grupo em aldeias curdas, perto da fronteira com a Turquia, onde 144 mil sírios, principalmente curdos, já fugiram temendo um massacre. Ontem, o almirante John Kirby, porta-voz do Pentágono, reconheceu deficiências na ação para reverter os ganhos do EI, sobretudo porque não há planos para colocar tropas americanas em terra.
  Fonte: O Globo


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