segunda-feira, 14 de abril de 2014

População pobre no mundo pode ser 30% maior do que a estimada


CImagem: Divulgaçãoom cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo vivendo com menos de US$ 1,25 por dia, o Banco Mundial tem como objetivo acabar com a “pobreza extrema” até 2030. Mas uma nova pesquisa afirma que os números globais da pobreza podem estar subestimados em até 30%, e reivindica estatísticas mais sólidas no futuro.
O banco de dados do Banco Mundial é amplamente usado pela comunidade internacional e desempenha um papel importante nas estratégias internacionais para reduzir a pobreza. Os críticos argumentam que suas estimativas são falhas porque a medição da pobreza usando o critério “dólar por dia” é arbitrário e não é suficientemente ancorado em qualquer especificação das necessidades básicas humanas.
Pesquisadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, estudaram a população do Estado insular de Vanuatu, no Oceano Pacífico, levando em conta não apenas as suas finanças, mas também as condições de moradia, higiene, água, informação, nutrição, saúde e educação para traçar um panorama mais amplo sobre a pobreza e desigualdade no país.
O estudo, publicado na última esta sexta-feira (11) na revista “Journal of Sociology”, conclui que o Banco Mundial relata uma imagem “amena” da linha de pobreza, já que sua definição é muito estrita.
A equipe foi reforçada por pesquisadores pela Universidade Nacional da Austrália, da Universidade de New South Wales, da Unicef e do Escritório Nacional de Estatísticas de Vanuatu.
Os resultados surgem em meio à controvérsia relacionada ao método internacional “dólar por dia”, usado para monitorar o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas e os rumos dessa agenda pós-2015.
De acordo com o modo “dólar por dia”, 5% das crianças de Vanuatu vivem na pobreza. Mas uma proporção muito maior (17%) estão nesta mesma situação, se ela for definida pelo que seria o padrão do país em alimentação e em necessidades básicas. Já a pobreza absoluta, em que as crianças são privadas de duas ou mais necessidades básicas humanas, atinge 16% das crianças.
Segundo Christopher Deeming, pesquisador de Bristol, a mesma situação ocorre em todo o mundo:
“Se o Banco Mundial usasse uma linha de pobreza baseada nas necessidades básicas, em vez da atual linha artificial, que só é uma medição monetária, o número de pobres no mundo cresceria substancialmente, talvez até 30%”, avalia. “Esperamos que estes resultados sejam levados em conta no futuro para garantir uma análise mais robusta sobre os desafios sociais e econômicos enfrentados pelos países em desenvolvimento”.
Fonte: Extra

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