sábado, 18 de janeiro de 2014

Desligamento de aparelhos de garota com morte cerebral vira batalha jurídica

 

Jahi McMath, em foto sem data conhecida, cedida pela família. À direita, Martin Winkfield conforta a mulher, Nailah Winkfield, mãe de Jahi
Jahi McMath, em foto sem data conhecida, cedida pela família. À direita, Martin Winkfield conforta a mulher, Nailah Winkfield, mãe de Jahi

O drama de uma família na Califórnia tem mobilizado a opinião pública dos Estados Unidos sobre a manutenção de pacientes com morte cerebral vivos, com a ajuda de aparelhos. Jahi McMath, 13 anos, foi declarada morta pelos legistas do Condado de Alameda, após os médicos diagnosticarem a morte cerebral da adolescente em 12 de dezembro. O atestado de óbito foi emitido, mas a causa da morte ficou pendente pela falta de autópsia. Desde então, uma batalha jurídica foi travada entre seus parentes e médicos para mantê-la respirando com ventilação mecânica.
Jahi foi internada no Children’s Hospital & Research Center Oakland no dia 9 de dezembro para um procedimento cirúrgico simples: a retirada das amídalas, para tentar livrá-la de sintomas de apneia do sono. Ela perdeu bastante sangue após a cirurgia e sofreu uma parada cardíaca. Verificado que Jahi não teria mais chances de se recuperar, os médicos comunicaram à família as complicações ocorridas na operação e disseram que a garota, do ponto de vista médico e legal, estava morta.
Porém, a família não aceitou que o ventilador fosse desligado e entrou na Justiça para que Jahi continuasse a receber suporte médico. No dia 30 de dezembro, um pouco antes das 17 horas (no horário local), hora para a qual estava previsto o desligamento do aparelho, a família obteve uma liminar na Corte Superior do Condado de Alameda. A Justiça deu um novo prazo: as 17 horas de terça-feira (7). “Quem quer saber o dia e a hora em que seu filho vai morrer?”, disse a mãe de Jahi, Nailah Winkfield.
Com a decisão judicial, a família correu para conseguir a transferência para uma instituição que aceitasse manter a garota viva. Jahi pode ter sido levada para uma entidade que dá auxílio a pacientes com graves traumas cerebrais, em Nova York, a New Beginnings Community Center. O centro ofereceu ajuda à família de Jahi.
A família afirmou que Jahi foi retirada do hospital de Oakland, no domingo (5), mas que não divulgaria para onde foi levada por temer por sua segurança. Segundo Instituto Médico-Legal de Alameda, Jahi foi entregue à instituição pelo hospital no domingo, e a entidade, seguindo determinanção da Justiça, entregou-a à família. O advogado Christopher Dolan afirmou que ele e os parentes de Jahi têm recebido mensagens ameaçadoras durante as últimas semanas. Dolan disse que as pessoas acusam-no de ser antiético por trabalhar no caso e que, simplesmente, alguém deveria “tirar o ventilador da tomada”. “Esta era uma pessoa. Esta é uma pessoa. Esta é uma família. Se é antiético dar esperança a alguém, o que faremos, então? Fechar as igrejas? Fechar as escolas?”, disse em entrevista a jornalistas, de acordo com o Los Angeles Times.
O debate sobre até que ponto uma pessoa ainda é considerada viva e a sobrevida de pacientes com a ajuda de aparelhos é constante. O diagnóstico de morte cerebral segue uma série de critérios médicos. Mais de um profissional examinou Jahi para concluir que seu cérebro havia parado. Mesmo com a morte cerebral, o coração pode continuar a bater e o paciente pode ser mantido respirando com aparelhos. Normalmente, os batimentos param em dias ou semanas. Em texto que explica a situação de Jahi, o Washington Post cita um estudo de 1998, do neurologista da Universidade da Califórnia, Los Angeles, Alan Shewmon, que acompanhou casos de pacientes com morte cerebral cujos corações continuaram a bater por mais de uma semana. A maioria parou em um ano, mas houve um caso em que esse quadro durou 14 anos.
A família de Jahi diz que espera que um milagre possa levar à recuperação da garota.
 
Fonte: Época

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