quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Boato de morte de professora ganha redes sociais e Paes recorre à polícia

Protesto e confronto após manifestações de professores no Rio  (Foto: João Laet/Agência O Dia/Estadão Conteúdo)Protesto e confronto após manifestações de
professores no Rio
(Foto: João Laet/Agência O Dia/Estadão Conteúdo)
O prefeito Eduardo Paes pediu à Secretaria de Estado de Segurança que investigue a origem do boato sobre a suposta morte da professora de Elizabete da Fonseca, de 67 anos, durante a confusão que ocorreu durante a manifestação dos professores na Cinelândia, no Centro do Rio, nesta terça-feira (1º).
Em nota postada no Twitter, a Prefeitura diz que "este tipo de relato cria perturbação da ordem pública, que pode se configurar em eventual infração penal, ração por que a Prefeitura do Rio se viu na obrigação de comunicar o fato à secretaria e pedir as devidas apurações às autoridades policiais competentes".
A informação da morte foi publicada no Facebook e compartilhada por internautas, ganhando as redes sociais. Segundo a assessoria de imprensa do prefeito, a informação foi publicada na rede social de um professor de São Gonçalo, na Região Metropolitana, e replicada pelo grupo Anonymous Rio. A morte teria sido em decorrência de complicações causadas pela inalação de gás de pimenta durante o protesto de profissionais de educação na Câmara Municipal do Rio.
G1 esteve na manhã desta quarta-feira (2) no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, e teve a informação de que nenhum paciente com o nome da suposta professora deu entrada na unidade.
Em nota a Secretaria Municipal de Saúde informou que “que não há nenhum registro de entrada de paciente com o nome de Elisabete Fonseca no Hospital Municipal Souza Aguiar e em  nenhum outro hospital da rede municipal de saúde. Também não há nenhum registro de óbito com essa identificação nas unidades”.
O Sindicato dos Profissionais Estaduais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe) divulgou uma nota no site e não confirmou a morte da professora. “A direção do Sepe tomou conhecimento do caso e foi até o Hospital Souza Aguiar e outras unidades de saúde, além de checar no Instituto Médico Legal e nenhum registro de óbito decorrente das circunstâncias acima descritas foi encontrado”.
Por volta das 12h, o grupo Anonymous Rio usou a rede para pedir desculpas pela informação equivocada, compartilhando uma publicação feita pelo coletivo "Rio na Rua". "A equipe do Rio Na Rua fez um esforço de apuração, no sentido de confirmar a informação: fomos até o Hospital Souza Aguiar, contactamos uma representante do SEPE que também buscava a confirmação no hospital, conversamos com professores, ligamos para a UPA de Botafogo, para o Hospital Miguel Couto, para o Instituto Médico Legal e para a OAB, sem que houvesse qualquer confirmação”.
manifestação dos professores foi marcada por mascarados e vandalismo no Rio (Foto: Pilar Olivares/ Reuters)manifestação dos professores foi marcada por mascarados e vandalismo no Rio (Foto: Pilar Olivares/ Reuters)
Confrontos
O Centro do Rio de Janeiro teve mais uma noite de tumultos e confrontos nesta terça-feira (1°). Imagens mostram a praça de guerra que as ruas da região viraram pouco depois que a Câmara Municipal aprovou o projeto de lei do Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações (PCCR) dos professores do município. Um grupo de mascarados se infiltrou entre os professores e desencadeou o tumulto.
Até o final da noite, 17 pessoas tinham sido detidas e muitas ficaram feridas durante a confusão. Vários ativistas registraram queixas em delegacias contra a violência policial. Vândalos mascarados — alheios à lei que impede o uso de disfarces — quebraram agências bancárias e depredaram prédios, provocando pânico nos trabalhadores que deixavam os prédios na Avenida Rio Branco.
A PM nega que tenha usado balas de borracha. “Pensei que fosse bala de verdade e achei que tivesse quebrado minha costela”, afirmou o ambulante, que exerce a função há 13 anos e é cadastrado pela prefeitura.
O Cine Odeon, onde eram exibidas sessões do Festival do Rio, e o Theatro Municipal, que sediaria um espetáculo de balé, fecharam as portas e adiaram as apresentações. Diversas empresas próximas à Cinelândia — e vizinhas à Câmara — liberaram seus funcionários com horas de antecedência para que evitassem o tumulto.
Aprovação do PCCR
A Câmara aprovou em reunião extraordinária às 19h15 desta terça a redação final do projeto de lei do plano de cargos e salários de professores, que já havia sido aprovado em primeira e segunda discussões, mais cedo. O PL agora vai para a sanção do prefeito Eduardo Paes. Segundo a assessoria da Prefeitura, assim que o documento chegar às mãos de Paes, será sancionado. A categoria informou que a greve continua.
Em nota, a prefeitura considera a aprovação uma "vitória para os servidores" e "um passo definitivo para consolidar o ensino público do Rio de Janeiro como o melhor do Brasil". Segundo o texto, o plano "garante, de imediato, um reajuste salarial de 15,3% para todos os profissionais da Educação e corrige injustiças históricas".
Ainda de acordo com a prefeitura, vereadores apresentaram 31 emendas ao texto original, já aprovadas pelo prefeito, o que representa um impacto de R$ 3 bilhões para o governo municipal nos próximos cinco anos. "A prefeitura reitera, mais uma vez, o seu apelo para que os professores que aderiram à greve retornem às aulas o mais breve possível, de forma  que os alunos da rede municipal não sejam ainda mais prejudicados."

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