domingo, 15 de maio de 2011

***O FERREIRO***



Era uma vez um ferreiro que, após uma juventude cheia de excessos, resolveu entregar sua alma a Deus.


Durante muitos anos trabalhou com afinidade, praticou a caridade, mas, apesar de toda sua dedicação, nada parecia dar certo na sua vida.


Muito pelo contrário:


seus problemas e dívidas acumulavam-se cada vez mais.
Uma bela tarde,


um amigo que o visitara, e que se compadecia de sua situação difícil, comentou:


"É realmente estranho que, justamente depois que você resolveu se tornar um homem temente a Deus,


sua vida começou a piorar.
Eu não desejo enfraquecer sua fé, mas apesar de toda a sua crença no mundo espiritual, nada tem melhorado".
O ferreiro não respondeu imediatamente.
Ele já havia pensado nisso muitas vezes,


sem entender o que acontecia em sua vida.
Entretanto, como não queria deixar o amigo sem resposta,


começou a falar e terminou encontrando a explicação que procurava.
Eis o que disse o ferreiro:


"Eu recebo nesta oficina o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas.


Você sabe como isto é feito?


Primeiro eu aqueço a chapa de aço num calor infernal,


até que fique vermelha.
Em seguida, sem qualquer piedade, eu pego o martelo mais pesado e aplico golpes até que a peça adquira a forma desejada.


Logo, ela é mergulhada num balde de água fria e a oficina inteira se enche com o barulho do vapor, enquanto a peça estala e grita por causa da súbita mudança de temperatura.
Tenho que repetir esse processo até conseguir a espada perfeita: uma vez apenas não é suficiente".


O ferreiro deu uma longa pausa e continuou:


"As vezes, o aço que chega até minhas mãos não consegue agüentar esse tratamento.
O calor, as marteladas e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras.


E eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina de espada.


Então, eu simplesmente o coloco no monte de ferro-velho que você viu na entrada de minha ferraria."
Mais uma pausa e o ferreiro concluiu:
"Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições.


Tenho aceito as marteladas que a vida me dá, e às vezes sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço.
Mas a única coisa que peço é:


"Meu Deus, não desista,


até que eu consiga tomar a forma que o Senhor espera de mim. Tente da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser, mas jamais me coloque no monte de ferro-velho das almas"





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